Onde Estão as Lágrimas para O Avivamento? (Parte IV)

 
Por: Al Whittinghill
Suplicar com Lágrimas
“Derramai perante ele o vosso coração” (Sl 62.8).
Devemos derramar nossos corações diante de Deus antes que ele possa derramar o Espírito sobre nós. Lembro de como fiquei chocado quando examinei as Escrituras e vi algumas palavras ali que temos esquecido. Tem a palavra grega penthos, que significa um coração quebrantado e contrito, um fluir do coração e da alma, uma empatia com Deus, compungido no coração, de coração partido. E depois há palavras como “solicitude” – sentir junto com o Senhor.
Temos feito isto em oração? Temos tomado tempo para ouvi-lo e dizer: “Senhor, estou à tua disposição” – talvez incapazes de falar, às vezes apenas gemendo. Esta é uma dimensão de oração, um clamor de coração para avivamento.
Lembro-me quando o Senhor começou a me ensinar isso. Estava passando a noite com um maravilhoso casal da igreja Presbiteriana, um presbítero e sua esposa, e eu pregaria na sua igreja aquela noite e nas duas ou três noites seguintes. Tivemos um encontro naquele primeiro dia para conversar. Harold era um homem amável, mas percebi logo que havia algo errado, algo no seu interior que o estava impedindo. Comecei a orar por ele.
Falei: “Senhor, mostra-me como orar por Harold. Não sei como orar por ele. Há algo errado, mas não tenho a menor idéia do que seja.”
Naquela noite, fomos à igreja e tivemos um culto maravilhoso. Quando chegamos em casa, antes de irmos dormir, eu disse: “Por que não oramos juntos?” Então Harold, sua esposa e eu demos as mãos uns aos outros e começamos a orar.
Abri minha boca e disse: “Senhor, quero levar Harold diante de ti…”, e sem qualquer emoção, sem qualquer sensação de entrar nos meus próprios sentimentos humanos, foi como se a tristeza invadisse todo meu ser. Minha voz começou a falhar e pensei: “O que está acontecendo comigo?” Meus olhos começaram a lacrimejar, e perguntei a mim mesmo o que iam pensar sobre este pregador se chorasse na oração.
“Senhor, o que vão pensar?” disse no meu íntimo. Mas o Senhor aparentemente não se importava com o que iam pensar. Tentei me recompor, mas tudo que conseguia dizer era apenas: “Harold… Harold…” As lágrimas escorriam pelas faces, e caíam do meu queixo. Humilhado, não conseguia soltar minhas mãos para pegar meu lenço, porque estávamos de mãos dadas. Continuei tentando me controlar, mas não pude fazer outra coisa senão soluçar e dizer: “Harold… Harold…”
Isto continuou por uns dez minutos. Estava totalmente humilhado. Finalmente, tudo que consegui dizer era: “Perdoem-me. Não sei o que está acontecendo.”
No mesmo instante, Harold disse: “Eu sei o que está acontecendo”. Fomos dormir. No dia seguinte, de manhã, tivemos uma reunião de oração. Harold ficou em pé e disse: “Quero agradecer a Deus por ter me libertado ontem à noite naquele momento de oração – depois de trinta anos de escravidão!”
Gemidos Inexprimíveis
Fiquei profundamente comovido. Fui para um lugar para estar sozinho com o Senhor. Perguntei: “Senhor, o que está tentando me ensinar? O que está acontecendo?”
O Senhor respondeu: “Você queria saber como orar por Harold. Mas você não ama a Harold como eu o amo. Eu o amo. E você não conhece a Harold como eu o conheço. Como pode orar por Harold? Mas você disse que queria aprender a orar por ele. Então eu aceitei suas palavras ao pé da letra. Tomei suas emoções emprestadas. Tomei seu coração emprestado. Tomei suas palavras emprestadas. E orei por Harold através de você. Você entrou numa dimensão de oração que pouco conhece. O Espírito de Deus fez intercessão através de você com gemidos que nunca poderiam ser colocados em palavras humanas, pois eram grandiosos demais, profundos demais para isso; como isso seria impossível, tomei suas faculdades emprestadas para fazer minha oração. E, a propósito Al, o Pai sempre ouve minhas orações.”
Então eu disse: “Senhor, isto é realmente algo que dá para experimentar? Podemos entrar nisso?” E o Senhor começou a mostrar-me Epafras no livro de Colossenses (4.12): “… que sempre luta por vós nas suas orações”. A palavra “luta” é a palavra “agonizomai” no grego. É a mesma palavra usada para se referir à luta de Jesus no Jardim do Getsêmani (Lucas 22.44). “E, posto em agonia…” (“agonai”). É a mesma palavra usada para a Maratona Grega de 41 quilômetros. E é a mesma palavra que Paulo usou quando disse que queria que os cristãos romanos lutassem (agonizomai) juntos com ele em oração (Rm 15.30).
Mas onde está hoje a agonia? Deus está nos dizendo que devemos ir além da nossa posição atual na oração, que devemos esperar nele até que nossos corações se quebrantem, até que sejamos conduzidos a uma nova dimensão. Nossas orações terão uma dimensão cósmica e veremos coisas surpreendentes acontecerem.
O Dom de Lágrimas
Este é um dom de Deus e não o receberemos se o não pedirmos. Em Gálatas 4.6, diz: “E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai”. Sempre lia esta passagem, e achava que se referia a falar suavemente: Aba, Pai. Mas a palavra “clama” usada aqui é krazein, que é usada do geraseno endemoninhado, que andava gritando pelos sepulcros e montes (Marcos 5.5). O que Gálatas 4.6 quer dizer é que quando nos colocamos diante de Deus, o Espírito do Filho amadurecido é enviado ao nosso coração e clamamos “Aba” – que é um gemido impossível de ser colocado em palavras. É um estado de enfraquecimento, uma carga no coração, uma atitude de “Não mais eu, mas Cristo em mim” na oração.
Conhecemos algo sobre “Não mais eu, mas Cristo em mim” quando se aplica ao nosso viver diário, mas quando foi a última vez que o aplicou à sua vida de oração? Não conheço muito esta dimensão na oração tampouco, mas desejo aprender a fim de responder ao clamor por avivamento que está no meu coração há muitos anos.
Examine a história e verá que foi nos grandes momentos de avivamento, quando lágrimas e quebrantamento vieram para a igreja, que Deus rasgou os céus e desceu. Foi quando rasgaram seus corações e choraram diante dele.
Isto é muito além de chorar por arrependimento ou por alegria diante do Senhor. É entrar na comunhão do seu sofrimento, é relacionar-se com o Espírito Santo, é orar com o Espírito. É colocar a mim mesmo e as minhas faculdades à disposição do Espírito Santo. Torno-me como leito de rio, como wadi, e Deus derrama o seu Espírito; de repente, através desta pessoa seca e vazia passa um fluir torrencial da sua Presença. Começamos a ver com seus olhos e a sentir com seu coração, a ansiar com seus desejos e a respirar com seu sopro. Isto nunca pode ser produzido pelo homem. É trabalhado em nós pelo próprio Deus. Este é o dom de lágrimas.

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