Gerado depois da meia-noite (Parte 2)

            Em geral, o cristão é tão frio e tão acomodado com sua condição miserável que não existe um vácuo de desejo suficiente para que o bendito Espírito consiga entrar com ímpeto e satisfazê-lo em verdadeira plenitude.

            De tempos em tempos, aparece no cenário religioso uma pessoa cujos anseios espirituais se tornam tão volumosos e importantes que excluem todos os demais interesses de sua vida. Tal pessoa se recusa a acomodar-se com as orações seguras e convencionais que se ouvem semana após semana, ano após ano nas reuniões das igrejas.
            Seus anseios a dominam e fazem dela, muitas vezes, um incômodo para quem está por perto. Seus colegas e companheiros cristãos ficam perplexos, olham um para o outro com expressão de superioridade, mas, tal qual o cego que suplicava para recuperar sua vista apesar da repreensão dos discípulos, ela grita “cada vez mais” (Mc 10.48). E, se ainda não tiver preenchido as condições de Deus ou se houver algo impedindo a resposta às suas orações, ela pode continuar batalhando em oração até altas madrugadas.
            Não é a hora da noite, mas o estado do coração que decide o tempo de sua visitação. Para ela, pode bem ser que o avivamento chegue depois da meia-noite.
            É muito importante, porém, que compreendamos que longas vigílias de oração ou, até mesmo, fortes lamentos e lágrimas não são, em si mesmos, atos meritórios. Todas as bênçãos fluem da bondade de Deus, assim como águas de uma fonte.
            Mesmo os galardões por boas obras que alguns pregadores enfatizam tanto e que tentam contrastar aos benefícios recebidos somente pela graça são, em sua essência, tão provenientes da graça quanto o próprio perdão dos pecados. O apóstolo mais dedicado não pode afirmar ser nada além de um servo inútil. Os próprios anjos derivam sua existência da pura bondade de Deus. Nenhuma criatura pode “merecer” coisa alguma no sentido mais comum da palavra. Todas as coisas vêm unicamente da soberana bondade de Deus.

Por: A. W. Tozer


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